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Como tudo começou

Talvez essa seja a pergunta que mais recebo sobre minha trajetória e talvez a mais difícil. Quando pensamos no começo das coisas, procuramos por memórias, das pequenas até aquelas que não saem da nossa mente vasculhamos tudo e até mesmo todos, em busca de respostas. A minha resposta é um milhão delas.


Tudo começou quando olhava pela janela do apartamento da minha avó paterna e tentava entender o quão longe eu estava daqueles pontos brilhantes que via no céu. Comparava a minha distancia aos carros e outros prédios distantes no horizonte e tentava entender qual era a minha casa naquele cenário que parecia grande demais. Eu não tinha uma resposta e não conseguia encontrar meu lugar pequenininho na imensidão que é uma cidade metropolitana para uma menina de 6 anos. Talvez, tudo começou com esse sentimento de que havia muito para explorar no céu acima de minha cabeça, e no chão que me apoiava, um sentimento de que precisava encontrar o meu lugar, encontrar um pontinho de luz que brilhasse por mim.


Essa memória me leva a outra ainda mais recorrente do que olhar o mundo pela janela - olhar para cima. Não consigo me lembrar da primeira vez que olhei pra cima, mas fazer isso moldou tudo sobre mim, moldou minha criatividade, sonhos e otimismo(acho que foi aí que ele deu algum sinal). Essa foi a forma que encontrei de dar significado a vida, e gosto de pensar que essa foi uma promessa feita para mim, de que todas as vezes que eu olhasse para cima, algo novo estaria prestes a surgir. E desde então, sempre está.


Nos momentos mais desafiadores e cinzentos, quando sentimos que o mundo parou, senti que algo mudaria, ou se não, tudo. Todas as vezes em que senti que não conseguia mais enxergar meu próprio caminho na vida, eu olhei para cima, como se tudo que estava no céu fosse tudo que existisse. Senti que algo estava esperando por mim e esse sentimento nunca mais parou de crescer. A cada nova conquista, sinto que ainda há algo esperando por mim. Quando descobri o Asteroide LPS0003, achei que essa era a resposta que o céu literalmente me oferecia, mas o sentimento não passou. Até mesmo quando passei meses escrevendo meu primeiro artigo enquanto analisava e classificava a forma e interação gravitacional de mais de 1.400 galáxias, ainda sentia que havia mais alguma coisa esperando por mim, e neste momento, em que escrevo este primeiro artigo sobre minha jornada, sinto fortemente que ainda há muito esperando por mim.


Não posso deixar de mencionar a Summa Causa, o verdadeiro Principium Motus que compartilhei com o mundo. Como uma boa nerd, a Ficção Científica e as Artes tem um papel fundamental sobre mim. Vi Cosmos pela primeira vez com cerca de 8 ou 9 anos. Eu havia ganho um PlayStation 2 do meu tio na época e ele acabou enviando um dvd dentro sem querer, e adivinha? Lá estava um Universo a ser pela primeira vez descoberto por mim. Antes disso eu já sentia que algo esperava por mim, mas foi naquele momento que compreendi.

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